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O Sítio de Monfurado, com uma área
total de 23946 hectares, abrange parte dos concelhos de Montemor-o-Novo, e Évora,
estendendo-se entre altitudes de cerca 150 metros até aos 420 metros, numa
região tipicamente mediterrânica. No
território de Montemor-o-Novo são abrangidos cerca de 16000 hectares,
correspondentes a parte das freguesias de Escoural e Nossa Senhora da Vila. Trata-se de uma área dominada por
importantes montados de sobro e azinho, bastante bem conservados, cuja
importância é realçada pela sua situação geográfica à escala nacional, bem
como pelas diversas influências climáticas que esta zona sofre. Aqui ocorrem
ainda resquícios de carvalhais de carvalho-cerquinho ou pedamarro (Quercus
faginea) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica), naquele que é o
limite Sul da sua distribuição em Portugal continental. É aqui que ocorrem
ainda as melhores comunidades de nacionais de espinhais de Calicotome
villosa, espécie exclusiva da região de Évora em território nacional. O Sítio de Monfurado é considerado
uma zona de grande importância para a conservação de diversas espécies de
morcegos, não só em termos de reprodução mas também de hibernação. Em
cavidades resultantes da antiga extracção de minério (Minas dos Monges e
Minas da Nogueirinha), existem actualmente abrigos muito importantes para a
conservação de espécies como o morcego-rato-grande (Myotis myotis) e o
morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), para além de
constituirem apoio a outras espécies importantes do ponto de vista
conservacionista como o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus
euryale), morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum),
morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) e
morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi). A área
envolvente, constituída por montados, representa um papel importante como
zona de alimentação. Sendo a maior parte da área propriedade
privada, destacam-se como elementos de vulnerabilidade aos objectivos de
conservação a agricultura intensiva, a poluição dos cursos de água por
agro-pecuária intensiva, a reflorestação com espécies exóticas, o abandono do
pastoreio e a ocorrência de fogos. No que respeita a habitats com
interesse para a conservação, verifica-se a ocorrência de subestepes de
gramíneas e anuais (Thero-Brachypodietea), florestas aluviais
residuais (Alnion glutinoso-incanae) e charcos temporários
mediterrânicos. Para além destes, que são de interesse prioritário,
identificam-se ainda no Sítio um conjunto de outros habitats constantes do Anexo I da Directiva Habitats: · Águas oligomesotrópicas calcárias com vegetação bêntica de Chara spp. · Lagos eutróficos naturais com vegetação da
Magnopotamion ou da Hydrocharition; · Vegetação flutuante de ranúnculos dos
cursos de água submontanhosos e de planície; · Cursos de água de margens vasosas com
vegetação de Chenopodion rubri p. p. e da Bidention p. p.; · Cursos de água mediterrânicos permanentes:
Paspalo-Agrostidion e margens arborizadas de Salix e Populus alba; · Charnecas secas (todos os subtipos); · Florestas termomediterrânicas e
pré-estépicas de todos os tipos; · Montados de Quercus suber e ou Quercus
rotundifolia; · Comunidades de ervas altas higrófilas das
orlas basais e dos pisos montano a alpino; · Vertentes rochosas siliciosas com
vegetação casmofítica; · Freixiais de Fraxinus angustifolia; · Florestas-galeria com Salix alba e Populus
alba; · Florestas de Quercus suber. · Florestas de Quercus rotundifolia. À semelhança do Sítio de Cabrela, também o Sítio de Monfurado alberga um conjunto de espécies da fauna e flora que possuem estatuto de conservação ao abrigo das Directivas Habitats ou Aves. Em termos de flora, e
considerando as espécies consideradas prioritárias para conservação,
destaca-se a ocorrência no Sítio de populações de narcisos (Narcissus
fernandesii), estimadas em menos de 50 exemplares. Ao nível da fauna, predomina
em termos de importância conservacionista a ocorrência de diversos mamíferos,
com destaque para as populações de morcegos. As cavidades resultantes da
antiga indústria extractiva albergam, entre outros, espécies como o
morcego-rato-grande (Myotis myotis), morcego-de-peluche (Miniopterus
schreibersii), morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale),
morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum),
morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) e
morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi). A presença da
lontra (Lutra lutra), espécie rara a nível europeu mas com alguma
frequência em Portugal, encontra-se também referenciada em diversos cursos e
corpos de água existentes no Sítio. No que respeita a répteis, destaca-se
a presença do cágado (Mauremys leprosa). Em termos de avifauna destacam-se a
petinha-dos-campos (Anthus campestris), a cotovia-pequena (Lulula
arborea), a calhandrinha (Calandrella brachydactyla), o
guarda-rios (Alcedo athis) , o bufo-real (Bubo bubo), o
alcaravão (Burhinus eodicnemus), Sisão (Tetrax tetrax),
águia-de-bonelli (Hieraaeutus pennatus), a águia-calçada (Hieraaetus
fasciatus), a águia-cobreira (Circaetus gallicus), o milhafre-real
(Milvus milvus), o milhafre-preto (Milvus migrans), o
falcão-abelheiro (Pernis apivorus), a garça-branca-pequena (Egretta
grazetta), a garça-pequena (Ixobrychus minutus) e a felosa-do-mato
(Sylvia undata). |
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