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A Vila de Lavre
A identidade visual da Freguesia de Lavre
A identidade desta vila alentejana, não foi fácil de discernir, tantos são os sinais que ela nos transmite, muitos deles, perdidos no terramoto de 1755. Lavre foi a localidade mais afectada em todo o Alentejo perdendo-se importantes edifícios, os Paços do Concelho, o Hospital, a antiga Torre do Relógio.
Entre o passado e elementos do presente voltados ao futuro, elegemos uma construção recente, que define a Praça da República, enquanto local de reunião do povo de Lavre e simultaneamente, espaço de festa, esperança, futuro.
O CORETO, inaugurado em 1954, quando a maioria, dos hoje adultos, era ainda criança. O Coreto como porta estandarte do núcleo urbano de que é centro. O Coreto, enquanto espaço do espectáculo que transborda vila fora, com “a menina dos olhos” atravessando ruas e alvoraçando as gentes.
O Coreto, em homenagem à Banda, a quem lhe deu origem, a quantos lhe deram continuidade e aos que hoje lhe dão corpo. Mais de 40 elementos, sendo jovens o maior número.
Um símbolo que remete para a actualidade da Vila e para os motivos que, nesta passagem de Millenium, fizeram chamá-la de “Terra de Cultura, Terra de Vida”.
Não substitui o brasão e a bandeira, mas pretende ser a imagem de marca da freguesia e factor de orgulho e auto-reconhecimento dos Lavrenses.
Não apenas imagem da Junta, mas de todas as instituições e empresas que a queiram tomar enquanto veículo unificador das acções que promovam o desenvolvimento de Lavre.
“O que mais há na terra, é paisagem”
Não só esta frase abre o livro “Levantado do Chão”, como é facto, a largueza de horizontes que da vila se avistam. “Monte Lavre, alto lugar”. “Tem Monte Lavre, à sua frente, como um presepe”. “São formosas estas noites de Junho. Se lua têm, deste alto de Monte Lavre vê-se o mundo todo, faz de conta.” É toda a beleza do Alentejo a seus pés...paisagem infinda que se estende até Montemor... “dela se divisa o
monte maior”.
“Quem chegue à velha torre do relógio (...) – descortinará um bonito panorama de montados e terra campa, que se alonga até ao horizonte em ondulantes colinas suavemente desenhadas.” Simão da Veiga, “Um Nome e Duas Saudades”
Apesar da lenda romana e do passado mourisco, o primeiro documento que refere Lavre data de 1220 e está assinado pelo rei D. Afonso II. Nessa carta o monarca faz a doacção de uma herdade em LAVAR;
D.Diniz concedeu-lhe foral em Santarém em 13.2.1304 e em 11.1.1305;
A constituição do concelho - desmembrado de Montemor-o-Novo - verificou-se no dia 27 de Março de 1304. O monarca tinha obtido, da Ordem de Aviz, por escambo, as terras da Torre de Lavar.
Em 1429, D.João I concedeu o seu senhorio ao cavaleiro alemão Lamberto D’Horques com vista a povoá-lo. Mas João Lamberto, seu filho, renunciou ao senhorio em benefício de D. Duarte, em Lisboa a 14 de Maio de 1437, que, entretanto, o cedeu a D. Fernando de Mascarenhas.
O 3º Foral foi concedido por D. Manuel I, em Évora, a 13.1.1520;
Em 1758 a vila contava 1264 habitantes.
Lavre acabaria por ser reintegrado no concelho de Montemor no séc. XIX.
O livro “ Levantado do Chão”, autêntica “bíblia” do povo alentejano na sua luta pela dignidade humana e pela liberdade:
“...e via-o vir andando de Montemor para Monte Lavre, a pé, desprezando carros e carretas, só para levar avante a sua opinião, não ficar a dever favor a gente que lhe tinha recusado pão para a boca.”
“Manuel Espada, primeiro grevista conhecido de Monte Lavre.”
“João Mau-Tempo, de 44 anos de idade...com título de perigoso.”
“...quantos jornais eram distribuídos, e porque torna o comité local, e porque deixa as reuniões, e quantos foram, e quem era, e está cá um que disse o teu nome, e sendo assim é verdade, se não confessares não sais daqui vivo,”
“...esteve seis meses em Caxias e veio agora de lá, largaram-no ali, e tem de ir para a terra, para Monte Lavre, concelho de Montemor, sou alentejano.”
“João Mau-Tempo vê que os seus olhos são imortais...olhem bem para mim, para estes meus olhos azuis, e agoram vejam os desta minha neta, que vai chamar-se Maria Adelaide e é retrato daquela sua avó com mais de 500 anos, mais os olhos que são do seu avô salteador estrangeiro de donzelas.”
“Os de Monte Lavre ouviram assobiar as balas, e o José Medronho sangra da cara, teve sorte, foi de raspão, mas vai ficar-lhe a cicatriz para o resto da vida.”
“...e a prova é que veio de Monte Lavre à manifestação, não lhe ficou de emenda, boa sorte teve não o ter procurado a bala.”
“De monte em montado, estas e outras palavras dão a volta ao latifúndio,..., e em Monte Lavre também se fizeram reuniões de acerto e combinação, se havia gente com medo, outros o não tinham, de modo que ao chegar o 1º de Maio estavam os ânimos decididos.”
A prisão de João Serra, de Lavre e de Sesinando Marques e José
Maria Duarte Gouveia, de Cortiçadas em 1949.
Uma Vila boa para se viver
“A vila de Lavre...assenta os alicerces do seu branco casario sobre uma colina argilosa de escasso declive, a poucas centenas de metros do talvegue da ribeira.” Lavre tem uma excelente localização entre Vendas Novas e Mora, entre Montemor e Coruche, “a caminho de Santarém, na primitiva estrada real, chamada das quadrilhas, que de Évora se dirigia aos portos do Sorraia e do Tejo, por Benavente”. (ver ponte do Pedrogão, quinhentista, 2500 metros a sul-este da vila)
Em 1988, após a passagem de Montemor-o-Novo a cidade, cedeu os territórios que foram constituir as novas freguesias de Cortiçadas de Lavre e Foros de Vale de Figueira tendo hoje 114,8 Km2.
A freguesia tinha, segundo o censo de 2001, 886 habitantes repartidos pela Vila e cinco aglomerados: Vale da Chama, Vale da Pedreira, Foros da Mata, Vale de Simarros e Vinha das Carnes.
Como em grande parte das vilas e aldeias alentejanas, a falta de emprego é uma das principais preocupações. A maioria das mulheres estão desempregadas. Grande parte dos homens ainda se dedica à agricultura. A Cooperativa “Boa Esperança”, é, apesar de tudo, o maior empregador da freguesia. Os restantes repartem-se por empresas de Montemor e Vendas Novas.
A padroeira é Nª Srª da Assunção, com festa no 1º domingo de Agosto.
“Que Lavre foi terra de importância apesar da sua pequenez actual, atesta-o as igrejas e capelas que ainda se vêem.” A Igreja Matriz de N.ª Srª da Assunção, (reconstruída a partir de 1758) a Igreja da Misericórdia (pouco afectada pelo sismo), a Capela de S. Sebastião (hoje bastante degradada), a Ermida de Stº António (1745) restaurada recentemente;
O papel dos descendentes de João Esteves da Veiga, rico homem do Conselho de D. João I, e, em particular, do próprio Simão da Veiga, cavaleiro, pintor animalista e fundador da Banda Filarmónica, que hoje guarda o seu nome;
O papel cultural e social da Casa do Povo de Lavre.
O seu núcleo de atletismo. Um treinador e um trabalho com provas dadas, formando atletas e equipas que muito tem dignificado Lavre e proporcionado o gosto de competir a sucessivas “levas” de jovens.
O papel do Dr. Artur Campos Figueira.
O jardim de infância e a creche (em cuja criação o padre Flausino teve acção determinante). O parque infantil. O poli-desportivo.
A instalação da mini-pista de atletismo continua em estudo.
A 3ª idade dispõe de um centro de convívio na Junta da Freguesia. O Centro de Dia e o Lar de Idosos foram recentemente inaugurados.
A Ribeira de Lavre, foi sempre muito importante na economia da localidade, já que “a faz muito fresca, aprazível e abundante de cereais, fruta, peixe, azeite e outros frutos”. (Pinho Leal, “Portugal Antigo e Moderno”)
A caça. Rica em espécies, perdizes, lebres, coelhos e especialmente o pombo bravo, a freguesia tem 80% da sua área em regime de coutada. As barragens são alvo da especial atenção dos pescadores, oriundos de variadas paragens, em busca do tão apreciado achigã.
O projecto da zona de pesca desportiva na ribeira de Lavre está concluído.
Artesanato: Os trabalhos em cortiça de Hiraldo “Serra”. O artesão Laurentino trabalha em vime e buinho, dominando a arte de empalhar cadeiras e “mochos”. Lembrar João Besuga que a partir de qualquer galho, assinava singulares esculturas. O curso organizado pela Marca, ao abrigo do Programa Escolas oficinas do IEFP, com o apoio da Junta da Freguesia, em que participaram 6 jovens e 4 desempregadas de longa duração, tendo em vista, a criação de uma micro-empresa de brinquedos tradicionais.
Gastronomia: a actividade do restaurante “A Maçã” com prémios em vários concursos de gastronomia e o recente investimento do restaurante “O Fardo”.
O plano de urbanização está já aprovado. Para além do loteamento de “Palheiros”, novos loteamentos verão a luz do dia, sejam de cariz municipal, em conjunto com a cooperativa, ou resultem da iniciativa privada, tendo como objectivo evitar preços especulativos e procurar fixar população.
A não aprovação do Plano de Acção de Lavre, pelo Poder central, negou à freguesia um instrumento fundamental para o seu desenvolvimento, de modo, a estancar a desertificação e a conferir a esta terra o futuro que merece.
Sem o Plano de Acção, a autarquia não dispõe de nenhum outro instrumento legal para a recuperação do centro histórico.
Muitas das potencialidades de Lavre desenvolvem-se em torno do turismo rural. A unidade hoteleira do Monte dos Arneiros é disso magnífico exemplo.“Arneiros, Montes de prazer.”
Outro exemplo, é a presença, em volta de Lavre, de nomes conhecidos que aqui escolheram construir casa. Estão em curso trabalhos no sentido de estabelecer percursos turísticos, sinalizando os imóveis de interesse histórico; elaborar programas conjuntos com outros projectos que nas freguesias limítrofes complementem a oferta de Lavre; valorizar as ligações entre Lavre e Simão da Veiga; encontrar forma de “selar” o “cordão umbilical” que nos liga ao livro “Levantado do Chão” e a José Saramago, já que, através deles, Lavre chega a todo o país e a todo o mundo.
Livros e Artigos sobre Lavre
Lavre - 1304 - 2004
A Vila e Castelo de Lavar
Jorge Fonseca
Lavre e o seu município entre os domínios senhorial e da coroa
Teresa Fonseca
O "Castelo do Outeiro" ou "de Carrilhas" (Lavre)
Sondagens Arqueológicas
Susana Carvalho
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