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O Sítio de Cabrela, com uma área total de 56555 hectares, abrange parte dos concelhos de Montemor-o-Novo, Viana do Alentejo e Alcácer do Sal, estendendo-se entre altitudes de cerca 25 metros até aos 200 metros, numa região tipicamente mediterrânica. Na área predominam os montados de
azinheira, alguns de sobreiros e montados mistos de azinheiras e sobreiros.
Nas encostas mais declivosas ocorrem azinhais e medronhais, encontrando-se as galerias ribeirinhas, em
geral, em bom estado de conservação. O Sítio é uma área importante para a
conservação do lince-ibérico na região do Vale do Sado, dado que apresenta ainda
manchas muito bem conservadas de vegetação natural que constituem um bom
habitat para a espécie. A maior parte da área é propriedade privada, destacando-se como elementos de vulnerabilidade aos objectivos de conservação a intensificação da actividade agrícola e florestal, a destruição do coberto vegetal natural e a inadequada gestão cinegética, salientando-se aqui as actividades de furtivismo. Decorrendo destes factores, verifica-se uma escassez de populações-presa do lince-ibérico, que poderão colocar em risco a já escassa população deste felídeo, actualmente estimada em cerca de 8 a 10 indivíduos. No que respeita a habitats prioritários
para a conservação, verifica-se a ocorrência de matos litorais com zimbros,
florestas dunares de pinheiro-manso (Pinus pinea) ou pinheiro-bravo (Pinus
pinaster), e formações herbáceas secas seminaturais e arbustivas em calcários
(importantes habitats de orquídeas). Para além destes, encontram-se
identificados no Sítio um conjunto de outros habitats naturais constantes do
Anexo I da Directiva Habitats: · Dunas arborizadas do litoral atlântico; · Dunas com vegetação esclerofítica
(Cisto-Lavanduletalia); · Prados abertos de Corynephorus e Agrostis
das dunas continentais; · Vegetação flutuante de ranúnculos dos
cursos de água submontanhosos e de planície; · Cursos de água mediterrânicos permanentes:
Paspalo-Agrostidion e margens arborizadas de Salix e Populus alba; · Cursos de
água mediterrânicos intermitentes; · Charnecas secas (todos os subtipos); · Florestas termomediterrânicas e
pré-estépicas de todos os tipos; · Montados de Quercus suber e ou Quercus
ilex; · Prados mediterrânicos de ervas altas e
juncos (Molinion-Holoschoenion); · Florestas mistas de carvalhos, ulmeiros e
freixos das margens de grandes rios; · Carvalhais de Quercus faginea; · Florestas-galeria com Salix alba e Populus
alba; · Florestas de Quercus suber. Para além de outras com interesse
para conservação a nível nacional, o Sítio alberga um conjunto de espécies da
fauna e flora que possuem estatuto de conservação ao abrigo das
Directivas Habitats ou Aves. Das espécies florísticas com maior
interesse de conservação que ocorrem no Sítio destacam-se as populações de Armeria
rouyana, narciso (Narcissus fernandesii), e salgueiro-branco ou
borrazeira-branca (Salix salvifolia ssp. Australis), com populações
estimada em menos de 50 exemplares. Com uma maior distribuição, refira-se
ainda a ocorrência de santolina (Santolina impressa). No que respeita à fauna com interesse
para a conservação, e considerando a classe dos mamíferos, regista-se a
ocorrência do já referido lince-ibérico (Lynx pardinus) e da lontra (Lutra
lutra). Na classe de répteis
refere-se a presença do cágado (Mauremys leprosa) e na classe de
peixes estão presentes espécies como a boga (Chondrostoma polylepis),
a boga-portuguesa ou pardelha (Chondrostoma lusitanicum) e o bordalo
ou ablete (Rutilus alburnoides). No que respeita a aves, são
residentes no Sítio espécies como o guarda-rios-comum (Alcedo atthis),
o bufo-real (Bubo bubo), o alcaravão (Burhinus oedicnemus), o
peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus), a cotovia-montesina (Galerida
theklae), a águia-de-bonelli (Hieraaetus fasciatus), a
cotovia-pequena (Lullula arborea) e o sisão (Tetrax tetrax).
Das espécies migradoras destacam-se como nidificantes a calhandrinha-comum (Calandrella
brachydactyla), a cegonha-branca (Ciconia ciconia), a
águia-cobreira (Circaetus gallicus), o tartaranhão-caçador (Circus
pygargus), a águia-calçada (Hieraaetus pennatus), e o
milhafre-preto (Milvus migrans) e como invernante a tarambola-dourada
(Pluvialis apricaria). |
© Sérgio Chozas, FCUL |
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