01 dezembro 2015

Exposição - O Documento que conta as (es)tórias do Monte Maior

Horário:
 
Inicio do Evento:
01 dezembro
Fim do Evento:
31 dezembro
Localização:
Montemor-o-Novo

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O "Documento" do mês de Dezembro remete para um dos acervos do Arquivo Municipal denominado Celeiro Comum de Montemor – o – Novo.

«O Celeiro Comum de Montemor – o – Novo foi instituído por Alvará régio de 6 de Maio de 1695, que confirmou uma decisão da Câmara de parte das terras da herdade da Adúa – logradouro comum dos lavradores de pequenos recursos e com administração camarária – serem repartidas em courelas e arrendadas a "singeleiros e outras peçoas do povo que necessitarem d`ellas" pagando o quarto do rendimento que dessem, o qual seria utilizado para se criar um "seleiro comum e depózito geral para os moradores da (..)vila". O Celeiro teria o mesmo Regimento do da cidade de Évora.

A decisão não foi imediatamente concretizada, talvez por divergências quanto ao cultivo daquela herdade ou à distribuição das courelas. Em 6 de Março de 1714 os mesteres propõem em nome do povo que se faça a repartição da herdade da Adúa e se crie o celeiro, pedido aprovado em reunião de câmara de 28 de Novembro na presença das pessoas da governança, sendo o celeiro criado para "acodir a pessoas pobres, e mizeravens". A 5 de    Dezembro acordaram os vereadores o seguinte: " E o dito seleiro de piedade será no lugar que a câmara destinar que deferira aos empréstimos dos lavradores, e as mais pessoas, pagando lhe por avanço por cada hum moyo seis alqueires, postos no seleiro, e avera três chaves delle, huma em mão do vereador mais velho, outra em mão do escrivão da camara, outra em mão do tesoureiro q for eleito pella camara; e assim mais dois livros rubricados hum da receita de todo o pão, outro das saídas; e no fim de todos os anos se fara rezumo desta conta com clareza, o que sera revisto em camara: e no tempo da aceifa se farão duas eiras no rossio, ou as que forem necessárias, en que soo se debulhe todo este pão, no que asistira hum olheiro ou fiel o que a camara nomiar para fazer a cobrança, e entrega ao tesoureiro (…)" AMMN - A1B73

Nessa mesma sessão é decidido atribuir as courelas às pessoas da governança ("as pessoas que costumam servir de vereadores, e meas courelas aos mais que parecessesse, avendo primeiro respeito, aos que tem servido de almotaces, e procuradores do concelho") em contradição com a intenção inicial de as distribuir a singeleiros e pessoas pobres. A 5 de Janeiro de 1715 são distribuídas 37 courelas grandes e 12 pequenas. Das mesmas, devido a trabalhos que seria preciso executar na terra, pagariam no primeiro ano só o oitavo, e nos seguintes o sexto da produção.

Em 29 de Abril de 1716 são eleitos o juiz do pão da Adúa, escrivão, deputados, almoxarife e olheiros.»


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