15 janeiro 2018

Carlos Cebola no Clube de Leitura de Montemor-o-Novo

O primeiro encontro do ano do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo, que teve lugar a 4 de janeiro, foi dedicado à obra “Em Montemor, o maior… : João Cidade, teatro; Romagem a Montemor, poesia”, de Carlos Cebola, e contou com a presença do escritor para comentar a obra. Carlos Cebola tem 89 anos, nasceu em Nisa e estudou em Portalegre e Évora. Deu aulas em Monsaraz, Montemor e Luanda e trabalhou como inspetor de educação. Casou em Montemor, em 1958, e aqui nasceram os seus dois filhos. Desde a sua aposentação vive em Montemor. Escreveu para teatro e televisão, e viu uma obra sua censurada em 1962. A obra deste mês é sobre a vida do nosso padroeiro João Cidade, mais tarde João de Deus. Menciona a precoce emancipação dos pais aos 8 anos, as duas guerras e os momentos de pastorícia e o sermão que o terá enlouquecido levando-o ao internamento, porém, enfoca principalmente nos momentos finais da sua vida, quando funda um Hospital em Granada. Esta peça tem sido representada no Cineteatro Curvo-Semedo desde 1964. A obra tem ainda um conjunto de poemas dedicados a várias ruas de Montemor.

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O autor começou por expressar as dificuldades que encontrou para se afirmar como dramaturgo em Montemor-o-Novo durante a década de 50. Para começar não havia grupo de teatro. Deste modo, Carlos Cebola teve mesmo de arregimentar atores, tentando convencer os pais destes da grande oportunidade em ser artista de palco. Tarefa difícil, mas eficaz. Conseguiu juntar um grupo de rapazes e em 1964 leva a cena “Em Montemor, o maior… : João Cidade”. Curiosamente, em 1995, aquando das celebrações dos 500 anos do nascimento de João Cidade, a peça é representada por um grupo estritamente feminino, o que levou o autor a reescrever a mesma, assumindo a atual forma. O interesse por João Cidade, disse-nos o autor, prendeu-se com uma necessidade de desmistificação da vida do padroeiro de Montemor e por isso terá decidido escrever a sua história de um ponto de vista mais realista, excluindo qualquer milagre, enfatizou a inovação social das nobres ações de João Cidade, o último reduto para os moribundos e leprosos então excluídos do meio social. Concluímos que a peça é uma forma “viva” para conhecermos a biografia deste homem que é padroeiro da nossa cidade de Montemor-o-Novo.

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Recordamos que as obras lidas no Clube de Leitura estão disponíveis para requisição na Biblioteca.